InforCEF - jornal escolar do Centro de Estudos de Fátima - nº 39, Dezembro de 2003

 

Acto

único

Pérolas

Acto Único é um exercício espectáculo.

Sim; vamos assumir que é um exercício, pois os alunos estão em processo criativo. Estamos a explorar a linguagem corporal, a sua relação com o objecto, com o espaço, com o texto enquanto elemento orgânico e fluido que aparece como complemento e parte integrante da expressão corporal. Daí, estarmos a trabalhar um monólogo a várias vozes, um texto que fala da vida, da morte, do amor…

 

 

É uma reflexão sobre o tempo, as escolhas que fazemos ao longo da vida e suas consequências, para construir um percurso, dar um sentido à vida, tendo sempre presente que… o tempo é um grande escultor (M. Yourcenar).

 

 

O que pensam os Actores

Eu gostei muito de fazer este "Acto Único"; foi único, não só pela sua dimensão artística, mas também pela experiência que adquiri a trabalhar este texto. Desenvolvemos a relação entre nós, com os objectos, o texto e o silêncio. Gostei muito. (Filipe Pereira, 11ºG)

Gostei muito do texto, da relação apresentada por ele, entre a morte o amor. Acho que esta peça de teatro tinha muito simbolismo, devido aos seus movimentos. A forma como trabalhámos o texto e nos relacionámos com ele foi importante, pois mostrámos que pode ter uma interpretação diferente em cada indivíduo. (Marissa Oshige, 11ºG)

Como pessoa, acho que a peça de teatro que representámos no Cine-Teatro de Ourém me ajudou a crescer bastante. Ajudou-me a ter mais confiança nos outros e em mim mesma. Ajudou-me a ter mais convivência com outras pessoas e também me ajudou a aprender a lidar com certas situações. Como aluna de teatro, acho que todos estes momentos e a peça em si me ajudaram a ter noção daquilo que sou capaz de fazer. Como aluna de teatro e como pessoa, ajudou-me a desenvolver o meu sentido estético, cultural e crítico. Adorei e quero repetir. (Diana Cruz, 11ºG)

 
 
 
Encenador e figurinos: Andreia Pires
Interpretação: Diana Cruz, Marina Camponês, Catarina Dias, Liliana Alves, Filipe Pereira, Fanny Santos, Marissa Oshige.
Caracterização: Lígia Carvalho.
Direcção Musical e Multimédia: Jorge Gonçalves. Som e Iluminação: Dinis Reis, João Duarte, José Lourenço.

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Pérolas...

Não terá sido tão espectacular como outros... "espectáculos" realizados pelo CEF e poderá ter mesmo "desiludido" quem aguardava, ou exigia, um produto sensacional com a intervenção da nossa escola no Cineteatro de Ourém.

Não foi assim. A exibição do Grupo de Teatro do CEF, nas noites do dia 21 e 22 de Novembro, surpreendeu o auditório com a representação, tão difícil como profunda, de uma alegoria da existência humana no seu emaranhado de momentos altos e de outros... menos elevados, ou mesmo, frequentemente, de queda. Pode ter outras leituras, mas parecia estar bem explícita a ideia que o levantar, o retomar o caminho, o persistir no difícil "ofício de viver", como escreveu Cesare Pavese, é que marca a verdadeira identidade do ser humano, no seu atormentado devir quotidiano.

Quem não gostou não terá provavelmente compreendido esta mensagem e a escolha de um tema diferente do dos outros espectáculos encenados nas edições do CENOURÉM, e terá desaproveitado uma ocasião de ouro para saborear o fragor do silêncio, muito mais estonteante, quando obriga a questionar o sentido da vida, do que o barulho e os aplausos do teatro que entronca no sulco da tradição de Molière ou Goldoni.

Sem a dimensão intrigante das peças do Teatro do Absurdo – Ionesco, Arrabal ou mesmo Brecht – Acto Único foi um convite a descer do carrocel alucinante que vivemos no frenesim dos afazeres diários para entrar num oásis de reflexão, percorrendo livremente os horizontes do pensamento, como num deserto, até ao infinito.

Por vezes, é preciso ter a coragem de propor horizontes mais elevados e "obrigar" espectadores habituados sempre ao mesmo alimento a experimentarem outros sabores, a irem por outros caminhos, a viverem outras aventuras! (Fp)

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