InforCEF - jornal escolar do Centro de Estudos de Fátima - nº 39, Dezembro de 2003

 

A rota das especiarias

 
Nas aulas de História estamos a estudar uma matéria muito interessante, pois, para além de ficarmos a conhecer melhor a História do nosso País, enriquecemo-nos culturalmente. O último tema que abordámos foi a "Presença Portuguesa no Oriente".
Para impor a presença Portuguesa na Índia, D. Manuel criou o cargo de Vice-Reis. O primeiro Vice-Rei foi D. Francisco de Almeida que, para dominar o comércio das especiarias e conseguir o Monopólio desse comércio, colocou no Oceano Índico uma poderosa armada. Não conseguindo grandes resultados com essa política, D. Manuel nomeou um novo Vice-Rei – Afonso de Albuquerque. A sua actuação foi bem diferente, relativamente a actuação do seu antecessor. Para facilitar o comércio das especiarias, Afonso de Albuquerque conquistou locais estratégicos, como Ormuz, Goa, Malaca e Socotorá. Desta forma, impedia os Árabes de passar através do mar Vermelho e abriam-se para os Portugueses as principais rotas marítimas do Extremo Oriente.
Os Portugueses traziam as mercadorias – especiarias, sedas, porcelanas, tapeçarias – pela Rota do Cabo, que ligava os Oceanos Atlântico e Índico. Pela Rota do Cabo, os produtos chegavam à Europa a preços mais baixos, porque não havia intermediários e a nau transportava mais mercadoria.
Na Índia, os Vice-Reis desempenhavam funções que lhe foram atribuídas por D. Manuel. Deviam organizar o comércio, dirigir as armadas e defender as terras conquistadas.

Alunos do 6º B

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Magia de Camões

– Olha lá, eu lembro–me de ter estudado isso no 9º ano, mas achava essa matéria muito aborrecida! Consideras que é uma obra muito importante ou não? Convence- -me lá a ler "Os Lusíadas"!

– Sem dúvida que "Os Lusíadas" são uma obra importante.

– Porquê?

– Não sou só eu que lhes dou importância; se formos a ver, a sua importância é reconhecida pelos grandes críticos e é estudada por isso mesmo. Esta epopeia "construiu" praticamente o que é Camões.

– O que queres dizer com "construiu"?

– Simples. Quando pensas em Camões, associa-lo imediatamente a "Os Lusíadas" e vice- versa. Um poeta pode viver eternamente pelas suas palavras.

– Tudo bem, pode ser uma obra com alguma importância...

– Alguma não, muita, pois é um marco indiscutível da nossa literatura, tal como Shakespeare é conhecido por todos os ingleses, Camões também é em Portugal.

– Até pode ser, mas que é uma seca, lá isso é. Cada vez que me lembro das figuras de estilo...

– Esses aspectos são a beleza camuflada de "Os Lusíadas".

– Beleza camuflada?

– Sim. Quando estás diante de um quadro e vês uma linda paisagem, sentes–te bem, imaginas–te nesse local, podes até por visualizar a tua vida nesse lugar.

– E depois?

– Começas a sentir os cheiros, as cores, a tocar o ar, a saborear os frutos, a desejar estar ali para sempre, sentes uma calma indescritível e um desejo de tornares eterno aquele segundo. Estou errada?

– Não, mas não estou a perceber onde queres chegar.

– O quadro transmite-te sentimentos, desejos, esconde belezas, oculta mistérios, desperta curiosidades e acabas por escrever uma história tua naquele local, embora nunca lá tenhas estado. E tudo isso apenas numa tela, pincelada com sentimentos coloridos que não eram teus, mas que tu simplesmente alteraste quando olhaste para aquela obra que não era tua, mas que por breves momentos passou a ser. A epopeia camoniana é um pouco assim.

– Como um quadro?

– Não propriamente, é um… espelho de sentimentos que tu podes sentir como se fossem teus.

– Não consigo ver esses sentimentos nas minhas leituras.

– "Os Lusíadas" não devem ser lidos, devem ser sentidos. Quando começas a sentir a obra, consegues viver o que eles viveram, acabas por ser tu a dobrar o cabo das Tormentas, tremes de medo ao veres o "Adamastor", sentes as saudades na "Partida das Naus", inspiras-te nas belas Tágides, encarnas Camões, Vasco da Gama e até o "Adamastor". Sentes cada personagem como se fosses tu, sabes o que eles irão fazer, sentir, pois o papel principal é teu: tu és o poeta, o autor, o narrador e a personagem (…)

– Visto dessa forma...

– Uma obra é aquilo que nós fizermos dela, quando te dizem para leres uma obra, tu só o fizeste nas devidas condições se te tiveres encontrado nela. Para além da beleza literária desta obra, é importante e interessante porque nos conta de uma forma leve, subtil e mágica a História de Portugal. A obra faz-nos viver o Portugal de Vasco da Gama. (...)

Ana Filipa,

 

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