Uma imagem,

uma história

Catarina Ruivo, 10º B

Uma história que nunca deve ser contada é a história dos nossos sonhos, pois se há alguém que acredita que contar os sonhos é pecado, esse alguém sou eu. A razão? Um sonho destes não se conta a qualquer pessoa…

Todos os dias, antes de me deitar, vejo se há alguém debaixo da minha cama e mesmo depois de saber que não há ninguém, que é apenas medo o que sinto, peço sempre para que nada nem ninguém me perturbe o sono. Peço principalmente para que o medo não tome conta de mim.

Foi num dia destes que me apareceu, em sonhos, uma menina de cabelos loiros e com um rosto amedrontado. Tinha umas grandes olheiras que mostravam que não era feliz. Cumprimentou-me, e sem me dar tempo para que eu pudesse retribuir, começou a interrogar-me acerca deste Mundo. Respondi-lhe, baseando-me no que via na televisão e no que lia nos jornais, mas reparei que sempre que surgia a oportunidade, ela desviava o assunto para o meu "mundo pessoal". Aceitei o desafio. Fosse qual fosse a sua intenção, por certo não me queria fazer mal. Alguma coisa no seu rosto me inspirava confiança.

Comecei por lhe dizer que vivo cada dia como se fosse o último, nunca esquecendo todos aqueles que me adoram. Que luto todos os dias pela felicidade dos outros como se da minha se tratasse. Confessei-lhe ainda que apesar de parecer uma pessoa feliz, eu era uma pessoa cheia de medos e de inseguranças.

À medida que as horas iam passando, eu ia-me apercebendo que aquela menina representava tudo o que havia de negativo em mim. Talvez ela tivesse ido atrás dos seus medos e agora me estivesse a mostrar que ficar presa a eles era o pior caminho para a felicidade.

Queria perguntar--lhe a razão daquele interrogatório, mas enquanto esperava por uma resposta, o despertador tocou. Fiquei furiosa pelo desaparecimento da menina! A pouco e pouco, dei conta que com ela tinham fugido também todos os meus receios e as minhas dúvidas.

Tornei-me numa nova pessoa desde então. Hoje já não preciso de me encolher na cama cheia de medo. Tenho agora uma missão: ensinar às outras pessoas como os nossos medos se podem tornar em conquistas pessoais.

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